• Dra. Maria Eugenia Rondas Pimenta

Conversando sobre Candidíase


O que vou expor aqui são observações que fiz ao longo de anos de profissão. Não se trata de uma aula sobre candidíase, portanto não é nada científico para colegas da especialidade, mas para as mulheres de uma maneira geral e principalmente para aquelas que dizem “estar sempre com cândida” .

Quero orientar as mulheres para não se auto medicamentarem, pois cada caso é único e vários fatores podem favorecer o aparecimento e permitir que uma candidíase não cure totalmente ou mesmo que a pessoa fique susceptível a outras infecções. Somente o médico poderá receitar.

A queixa mais comum em consultório de ginecologista: ”estou com cândida!”

Verdade! É o motivo da grande maioria das consultas.

E nem sempre quer dizer que a paciente esteja com candidíase.

Aliás, quando uma paciente chega ao meu consultório dizendo estar com cândida, eu sempre pergunto: o que você está sentindo que te levou a concluir que está com cândida? E acrescento: você já me trouxe o diagnóstico! Quero saber seus sintomas porque só depois disso e após um exame poderemos chegar a essa conclusão!

E isso é o que acontece sempre! A palavra cândida virou sinônimo de prurido, ardor, desconforto e corrimento vulvo-vaginais. Então explico que nem sempre candidíase vem com esses sintomas e nem sempre esses sintomas querem dizer que a pessoa está com esta infecção.

E muitas vezes, senão bem frequentemente, a paciente complementa: já usei todos os remédios que me foram receitados anteriormente! Melhora enquanto estou usando, mas depois volta!”

Geralmente, poucas vezes percebo que a paciente apresenta aquele quadro clássico da infecção por cândida albicans e que só de olhar sabemos que se trata desta patologia.

Uma infecção por candida, bem tratada e controlada, pode desaparecer e ser considerada curada. Se a pessoa, em outra ocasião tiver novamente, deve-se tratar de uma nova infecção.

Outras vezes a paciente vem falando que teve um episódio de candidíase e que o profissional que a atendeu receitou um óvulo ou um creme para que ela colocasse.

E essa mesma paciente afirma que não lhe foi receitado nenhum medicamento por via oral.

Só tratamento local não resolve!

Os comprimidos via oral, as vezes sozinhos, podem resolver (mas nem sempre) e devem ser associados a um tratamento local. E na minha opinião as grandes infecções, os quadros mais “floridos” não saram totalmente com um óvulo dose única . Faz-se necessário um tratamento local que dure pelo menos 7 dias. Uma candidíase mal curada é uma porta para re-infecção e resistência aos medicamentos.

Moramos no Brasil, um país tropical, quente. A região perineal e perianal tem suas bactérias e fungos. Alguns fazem parte da flora normal e outras que aproveitam as condições de humidade e calor para proliferarem. E a cândida albicans, ou monília albicans gosta desse ambiente para crescer. O uso de calças compridas apertadas, feitas de pano grosso como o jeans, impedem a aeração local e também servem de de reserva para os fungos que ficam sob a forma de esporo, e são como sementinhas que quando encontram um meio favorável, um terreno propício, podem brotar e criar hifas e comprometerem aquele “ambiente”, favorecendo uma recidiva.

Recomendo as mulheres que usam calças jeans, uniformes grossos, e ficam o dia inteiro com essas roupas, que, ao chegarem em casa, façam uma boa higiene, troquem a roupa íntima, usem de preferencia as de algodão. Os sintéticos também não permitem uma aeração boa. E que troquem os jeans frequentemente, lavando e deixando secar bem.

O mesmo tipo de recomendação para quem vai a praia ou piscina. Enquanto estiverem nadando, ou em outras atividades na água, usem a roupa de banho (maiô, biquíni) mas assim que não forem mais entrar na água, troquem essas peças por shorts e calcinhas. O ideal seria mesmo tomar banho pois lugares de frequência pública, areia, beiral de piscinas, podem favorecer a contaminação por cândida.

Assim que perceberem os sintomas de aumento da secreção vaginal com ou sem prurido, com ou sem odor, procurem um profissional ginecologista. Evitem a auto medicação.

Candidíase com mal cheiro? Sim!!! Por causa de infecções secundárias e algumas vezes a alteração do pH e da flora podem favorecer uma vaginose e aí temos uma dupla infecção.

Existem também as candidíases assintomáticas. Aquelas que são achados casuais em consultas de rotina. Mais um motivo para que sejam feitas visitas ao ginecologista, pelo menos anuais, se a mulher não estiver sentindo nada.

Vale lembrar que a candidíase pode atingir também o homem, e é importante tratar o parceiro, principalmente naqueles casos de grandes infecções.

Mas candidíase não é DST! Vem da própria pessoa, por diminuição da flora de defesa, provocada por baixa de resistência, algumas vezes devida ao uso de medicamentos como antibióticos , corticoides.

O “sapinho” dos recém-nascidos é provocado por cândida. Existe candidíase nas dobras da pele e muitas mulheres que tem mamas volumosas podem apresentar prurido sub mamário e vermelhidão provocada por esse fungo; a candidíase ungueal é bem comum ainda e serve de fonte de contagio para outros locais.

A certeza de que o tratamento foi bem feito e que a infecção acabou deve ser confirmada pelo ginecologista. Sempre peço a paciente que espere 20 dias após terminar a medicação local e retorne para revisão.

Geralmente os casos de “candidíase de repetição” são recidivas de infecções mal resolvidas, de tratamentos mal feitos.

Quando as infecções frequentes na mesma paciente acontecem

  • procuro dar uma medicação diferente, que ela nunca usou.

  • Peço que suspenda todo o açúcar branco da alimentação, trocando por açúcar mascavo, mel, rapadura .

  • Se possível substituir o arroz branco pelo integral, ou ingerir pelo menos duas colheres do integral por dia, como se fosse remédio.

Esses alimentos purificados, pobres em vitaminas, sem nutriente nenhum, contém substâncias que são usadas no seu clareamento que acidificam o sangue promovendo uma baixa resistência.

  • Comer verduras e frutas todos os dias.

  • Evitar bebidas alcoólicas (não porque cortem o efeitos dos remédios, mas porque baixam a resistência e a pessoa já está com a imunidade baixa)

  • Evitar carnes vermelhas pois elas também acidificam o sangue.

  • Evitar condições que possam diminuir a resistência do organismo, como, tomar banho muito quente, sair com os cabelos molhados, evitar bebidas e comidas geladas, não pisar com os pés descalços no chão frio, evitar sair a noite(no sereno), comer um ovo quente pela manhã, e outras providências que minhas tias e avós recomendavam para não ficarmos gripadas. Esses medidas conservam a temperatura normal do corpo, evitam o choque térmico e aumentam a imunidade.

A sabedoria popular é sagrada! E acredito que as resistências aumentarão e muitas “candidíases” não irão incomodar mais.

#candida #candidíase

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